Quase cem anos de ofício
Da picareta do imigrante ao decreto do Estado
A história do basalto da Serra Gaúcha é a história de famílias que chegaram para plantar e encontraram pedra. Uma atividade que nasceu de subsistência, virou indústria e hoje disputa reconhecimento nacional.
O encontro com a rocha
No início do século vinte, imigrantes italianos, alemães e poloneses se instalaram nas terras que hoje formam Nova Prata e Paraí. Ao cavar o solo em busca de água e ao preparar a terra para a lavoura de subsistência, encontraram uma formação rochosa que lembrava o relevo da terra natal: derrames vulcânicos da Formação Serra Geral, fraturados em placas paralelas quase prontas para uso.
Os mais experientes ensinaram os mais jovens. As primeiras ferramentas de corte eram fabricadas à mão. Aos poucos, a extração deixou de ser um subproduto da lavoura para se tornar a primeira atividade industrial da região, mesclada à agricultura familiar.
Linha do tempo
Quatro marcos da organização do setor
Associação dos Basalteiros
Antes de qualquer entidade formal, mineradores da região já se reuniam para discutir interesses comuns. Essa articulação é o embrião do que se tornaria, poucos anos depois, o Sindicato patronal do setor.
Fundação do Sindicato da Indústria da Extração de Pedreiras de Nova Prata
Mineradores de 17 municípios se reúnem em grupo de associados e formalizam a entidade patronal, inicialmente com atuação municipal, estendida em 1987 a toda a região nordeste do Estado. É a entidade que, quase quatro décadas depois, passa a exercer a governança do APL sob a marca APL Basalto da Serra.
Sindicato dos Cortadores e Polidores de Basalto de Nova Prata e Região
Nasce o SINCOPBAS, organização de defesa dos trabalhadores basalteiros, criada para buscar melhores condições e dignidade para a profissão, com foco em segurança, doenças ocupacionais e dignidade social.
Reconhecimento do APL Basalto da Serra Gaúcha pelo Estado do RS
Pela Resolução nº 01/2023 do Núcleo Estadual de Ações Transversais (NEAT), publicada no Diário Oficial do Estado, o Rio Grande do Sul reconhece institucionalmente o décimo quinto Arranjo Produtivo Local do Estado, dando à cadeia produtiva acesso a programas de fomento como a Consulta Popular.
A profissão do basalteiro
Da atividade nasceu uma profissão própria, conhecida popularmente como basalteiro: o talhador que esculpe a rocha em talhe (retalho, laje, paralelepípedo) e em peças ornamentais para pisos e revestimentos. É um ofício de herança, passado de pai para filho, aprendido na frente de lavra e não em sala de aula.
Por volta de 1950, a atividade já somava mais de 400 cavas abertas, o que tornou inevitável sua formalização junto às primeiras legislações minerais do Brasil, a partir do Código de Minas de 1964 e do Decreto-Lei nº 227, de 1967.
Por que "basalto" e não riolito
Do ponto de vista petrográfico, a rocha explorada na Serra Gaúcha é um riolito ou riodacito, rocha vulcânica ácida com mais de 65 por cento de sílica, equivalente extrusivo do granito. O nome comercial "basalto" se popularizou desde o início da atividade e permanece até hoje, mesmo sendo uma designação comercial e não geológica.
A rocha se formou a partir de derrames vulcânicos de mais de 125 milhões de anos, com resfriamento rápido que originou a textura fina e as fraturas paralelas que permitem a extração manual em placas, sem uso de maquinário pesado.
Um material que já viajou o Brasil
Apesar de pouco conhecido fora da região, o basalto da Serra Gaúcha reveste espaços públicos de grande visibilidade nacional. O piso da Estação da Luz, em São Paulo, instalado em meados de 1970, permanece intacto até hoje. A Rodoviária do Tietê, também em São Paulo, é outro exemplo clássico de aplicação de blocos polidos da região.
"Ninguém fará isso pelos basalteiros. É preciso iniciativa e ação conjuntamente."Apresentação institucional do Sindicato
Perguntas frequentes
Sobre a história do setor
Quando começou o talhe de basalto na Serra Gaúcha?
Por volta de 1930, com a imigração europeia que se instalou na região de Nova Prata e encontrou uma formação rochosa fraturada em placas, semelhante ao relevo de sua terra de origem.
Quando o APL Basalto da Serra Gaúcha foi reconhecido pelo Estado?
Em 17 de outubro de 2023, por meio da Resolução nº 01/2023 do Núcleo Estadual de Ações Transversais (NEAT), publicada no Diário Oficial do Estado do Rio Grande do Sul.
Qual a diferença entre o Sindicato e o APL?
O Sindicato da Indústria da Extração de Pedreiras de Nova Prata e Região, fundado em 1986, é a entidade patronal que representa os empresários do setor. O APL é a política pública estadual de reconhecimento da cadeia produtiva, criada em 2023, cuja governança é exercida pela estrutura do Sindicato sob a marca única APL Basalto da Serra.