Quase cem anos de ofício

Da picareta do imigrante ao decreto do Estado

A história do basalto da Serra Gaúcha é a história de famílias que chegaram para plantar e encontraram pedra. Uma atividade que nasceu de subsistência, virou indústria e hoje disputa reconhecimento nacional.

O encontro com a rocha

No início do século vinte, imigrantes italianos, alemães e poloneses se instalaram nas terras que hoje formam Nova Prata e Paraí. Ao cavar o solo em busca de água e ao preparar a terra para a lavoura de subsistência, encontraram uma formação rochosa que lembrava o relevo da terra natal: derrames vulcânicos da Formação Serra Geral, fraturados em placas paralelas quase prontas para uso.

Os mais experientes ensinaram os mais jovens. As primeiras ferramentas de corte eram fabricadas à mão. Aos poucos, a extração deixou de ser um subproduto da lavoura para se tornar a primeira atividade industrial da região, mesclada à agricultura familiar.

Basalteiro extraindo basalto manualmente com talhadeira em pedreira, capacete amarelo
Basalteiro extraindo basalto, técnica manual mantida desde as primeiras décadas da atividade

Linha do tempo

Quatro marcos da organização do setor

1980 – 1982

Associação dos Basalteiros

Antes de qualquer entidade formal, mineradores da região já se reuniam para discutir interesses comuns. Essa articulação é o embrião do que se tornaria, poucos anos depois, o Sindicato patronal do setor.

22 de dezembro de 1986

Fundação do Sindicato da Indústria da Extração de Pedreiras de Nova Prata

Mineradores de 17 municípios se reúnem em grupo de associados e formalizam a entidade patronal, inicialmente com atuação municipal, estendida em 1987 a toda a região nordeste do Estado. É a entidade que, quase quatro décadas depois, passa a exercer a governança do APL sob a marca APL Basalto da Serra.

Assembleia de fundação do Sindicato em 1986, com dezenas de mineradores reunidos em salão Mesa diretiva na fundação do Sindicato em 1986, cinco homens sentados a uma mesa de reunião
17 de agosto de 1996

Sindicato dos Cortadores e Polidores de Basalto de Nova Prata e Região

Nasce o SINCOPBAS, organização de defesa dos trabalhadores basalteiros, criada para buscar melhores condições e dignidade para a profissão, com foco em segurança, doenças ocupacionais e dignidade social.

Reunião social da categoria de basalteiros em galpão, com grande público sentado, 1996
17 de outubro de 2023

Reconhecimento do APL Basalto da Serra Gaúcha pelo Estado do RS

Pela Resolução nº 01/2023 do Núcleo Estadual de Ações Transversais (NEAT), publicada no Diário Oficial do Estado, o Rio Grande do Sul reconhece institucionalmente o décimo quinto Arranjo Produtivo Local do Estado, dando à cadeia produtiva acesso a programas de fomento como a Consulta Popular.

A profissão do basalteiro

Da atividade nasceu uma profissão própria, conhecida popularmente como basalteiro: o talhador que esculpe a rocha em talhe (retalho, laje, paralelepípedo) e em peças ornamentais para pisos e revestimentos. É um ofício de herança, passado de pai para filho, aprendido na frente de lavra e não em sala de aula.

Por volta de 1950, a atividade já somava mais de 400 cavas abertas, o que tornou inevitável sua formalização junto às primeiras legislações minerais do Brasil, a partir do Código de Minas de 1964 e do Decreto-Lei nº 227, de 1967.

Por que "basalto" e não riolito

Do ponto de vista petrográfico, a rocha explorada na Serra Gaúcha é um riolito ou riodacito, rocha vulcânica ácida com mais de 65 por cento de sílica, equivalente extrusivo do granito. O nome comercial "basalto" se popularizou desde o início da atividade e permanece até hoje, mesmo sendo uma designação comercial e não geológica.

A rocha se formou a partir de derrames vulcânicos de mais de 125 milhões de anos, com resfriamento rápido que originou a textura fina e as fraturas paralelas que permitem a extração manual em placas, sem uso de maquinário pesado.

Basalteiro veterano entre lajes talhadas na frente de lavra · acervo do Sindicato, 2022

Um material que já viajou o Brasil

Apesar de pouco conhecido fora da região, o basalto da Serra Gaúcha reveste espaços públicos de grande visibilidade nacional. O piso da Estação da Luz, em São Paulo, instalado em meados de 1970, permanece intacto até hoje. A Rodoviária do Tietê, também em São Paulo, é outro exemplo clássico de aplicação de blocos polidos da região.

"Ninguém fará isso pelos basalteiros. É preciso iniciativa e ação conjuntamente."Apresentação institucional do Sindicato
Público reunido ao ar livre na 4ª Festa Nacional do Basalto, com barracas e mesas de piquenique
4ª Festa Nacional do Basalto, celebração da cultura basalteira na região

Perguntas frequentes

Sobre a história do setor

Quando começou o talhe de basalto na Serra Gaúcha?

Por volta de 1930, com a imigração europeia que se instalou na região de Nova Prata e encontrou uma formação rochosa fraturada em placas, semelhante ao relevo de sua terra de origem.

Quando o APL Basalto da Serra Gaúcha foi reconhecido pelo Estado?

Em 17 de outubro de 2023, por meio da Resolução nº 01/2023 do Núcleo Estadual de Ações Transversais (NEAT), publicada no Diário Oficial do Estado do Rio Grande do Sul.

Qual a diferença entre o Sindicato e o APL?

O Sindicato da Indústria da Extração de Pedreiras de Nova Prata e Região, fundado em 1986, é a entidade patronal que representa os empresários do setor. O APL é a política pública estadual de reconhecimento da cadeia produtiva, criada em 2023, cuja governança é exercida pela estrutura do Sindicato sob a marca única APL Basalto da Serra.