Geologia e cadeia produtiva

Uma rocha, quatro produtos, um processo quase todo manual

Entenda como o riolito e o riodacito da Formação Serra Geral, comercialmente chamados de basalto, saem da bancada de extração e chegam prontos para revestir uma calçada, uma praça ou uma fachada.

A rocha

O que o mercado chama de basalto é, na verdade, riolito e riodacito: rochas ígneas ácidas formadas pela solidificação do magma em derrames vulcânicos de mais de 125 milhões de anos, com teor de sílica superior a 65 por cento. O resfriamento rápido produziu uma matriz fina (afanítica), por vezes com fenocristais de quartzo e feldspato quando o resfriamento foi mais lento.

A característica que viabilizou a extração manual é o sistema de fraturas paralelas e juntas horizontais bem desenvolvidas: a rocha já "nasce" em placas, o que permite retirar lajes de boa qualidade com talhadeira e martelo, sem explosivos nem maquinário pesado.

Como a fratura define o produto

O intervalo entre as fraturas naturais determina o que cada pedreira produz:

  • Fraturas de pequeno intervalo geram a laje, placa quadrangular de cerca de 40 x 40 x 6 cm, o produto mais característico da região, usado em calçadas e pisos.
  • Fraturas de intervalo maior geram o paralelepípedo, de cerca de 10 x 10 x 20 cm, usado na pavimentação de avenidas e estacionamentos.
  • Rocha sem fratura aparente é extraída em blocos métricos, depois serrada e polida como granitos e mármores, para revestimentos e fachadas.
  • Retalhos do beneficiamento viram brita, agregado para a construção civil, nas pedreiras chamadas regionalmente de "britador".
Frente de lavra em pedreira de basalto na região de Nova Prata, com pilha de retalhos e escadas de acesso
Frente de lavra: a rocha já nasce fraturada em placas
Lajes de basalto empilhadas, com talhadeiras sobre uma das peças
Lajes prontas para expedição, com as talhadeiras usadas no corte

Processo

Da bancada à expedição

  • 01Lavra. A frente de operação, popularmente chamada de banco ou bancada, é a etapa inicial de extração da matéria-prima.
  • 02Aparelhamento. A rocha é classificada e recortada com talhadeira e martelo, o chamado escarfilamento, ainda hoje realizado de forma manual.
  • 03Beneficiamento. Prensas hidráulicas guilhotinam a rocha em novos tamanhos; teares, fios diamantados e discos de corte reduzem a espessura da placa.
  • 04Acabamento de superfície. A peça pode ser polida, escovada ou flameada, conforme a aplicação final.
  • 05Expedição. O material segue para revestimento, pavimentação e acabamentos, abastecendo principalmente a capital gaúcha e outros estados, com produtos também exportados.

Na frente de lavra

O processo, da bancada ao pátio

Aplicações

Onde o basalto da Serra Gaúcha já está

São Paulo

Estação da Luz

Piso e revestimento instalados em meados de 1970, mantidos intactos até hoje, citados pelo Sindicato como prova da durabilidade do material.

São Paulo

Rodoviária do Tietê

Aplicação clássica de blocos de basalto polido em piso de grande circulação, exemplo de uso em escala empresarial.

Nova Prata

Pórtico e praça central

Monumentos em basalto na entrada da cidade e na praça central retratam cenas do trabalho regional, incluindo uma roda d'água considerada a obra de arte mais bela do material.

Talhadeira e martelo sobre placas de basalto recém-extraídas, ferramentas tradicionais do talhe
Talhadeira e martelo: as únicas ferramentas de um ofício ainda manual
Basalteiro talhando basalto com capacete de segurança em pedreira
O corte segue as fraturas naturais da rocha, sem explosivos
Mãos de um basalteiro escarfilando um bloco de basalto com talhadeira e martelo, à beira de uma cava com água
Escarfilamento manual: cada golpe de talhadeira aparelha uma nova face do bloco

Além da construção civil

Móveis, arte e um novo estudo em agrominerais

Mesas, cadeiras, carrinhos de mão, cinzeiros e porta-canetas em basalto mostram a versatilidade do material além da obra. As placas com "pseudofóssil", textura dendrítica formada pela percolação de óxidos de ferro e manganês na água subterrânea, viram quadros e paredes decorativas.

Em parceria com o Serviço Geológico do Brasil (CPRM), o setor estuda o aproveitamento do minério como agromineral, corretivo de solo, uma resposta possível à crise mundial de fertilizantes.

Atividades econômicas

Classificação CNAE do setor

Atividades principais
CódigoDescrição
08.10-0-09Extração de basalto e beneficiamento associado
08.10-0-99Extração e britamento de pedras e outros materiais para construção
23.91-5-02Aparelhamento de pedras para construção, exceto associado à extração
09.90-4-03Atividades de apoio à extração de minerais não metálicos
23.91-5-01Britamento de pedras, exceto associado à extração
Atividades secundárias
CódigoDescrição
49.30-2-02Transporte rodoviário de carga
47.44-0-04Comércio varejista de cal, areia, pedra britada, tijolos e telhas
42.13-8-00Obras de urbanização, ruas, praças e calçadas
23.91-5-03Aparelhamento de placas e trabalhos em mármore, granito e ardósia
46.79-6-02Comércio atacadista de mármores e granitos

Perguntas frequentes

Sobre o material e o processo

Qual o tamanho padrão da laje de basalto?

Cerca de 40 x 40 x 6 centímetros, produzida em pedreiras onde as fraturas naturais da rocha ocorrem em pequeno intervalo. É o produto mais característico da região de Nova Prata e Paraí.

A extração de basalto usa explosivos?

Não, na atividade tradicional da região. As fraturas paralelas naturais da rocha permitem a extração manual com talhadeira e martelo, sem maquinário pesado nem explosivos.

Para que serve a brita produzida nas pedreiras de basalto?

A brita é o agregado usado como matéria-prima na construção civil, aproveitando o retalho gerado durante a extração e o beneficiamento da laje e do paralelepípedo.